Mulher morta com sete facadas por companheiro já condenado

06/08/2010 at 5:17 pm Deixe um comentário

00h30m
SALOMÃO RODRIGUES
Uma mulher, de 50 anos, foi assassinada com sete facadas pelo companheiro, ontem, em Oliveira de Azeméis. As agressões eram frequentes e o homem já tinha sido condenado por violência doméstica. Esta é a terceira mulher morta nos últimos seis dias.
Maria de Fátima foi morta cerca das três horas da madrugada, na casa onde residia, em Lações de Cima, Oliveira de Azeméis. Os seus gritos de desespero ainda foram ouvidos pela vizinhança que pensou tratar-se de mais uma “tareia”, como tantas outras, não querendo por isso e por receio do homem que garantem, “ameaçava toda a gente”, intervir na contenda.
“Estava a dormir quando acordei com os barulhos e os gritos de aflição da mulher. Pensei que estava a dar-lhe mais uma porrada, como de costume” contou a vizinha, que vive um piso acima. “Acabei por adormecer e só de manhã soube por um vizinho o que tinha acontecido. Ele era muito mau para ela e andava sempre a bater-lhe”, adiantou a mesma fonte.
Os maus tratos seriam, de acordo com outros testemunhos de vizinhos, “constantes”. “Ele batia-lhe muito, mas depois passavam os dois de mãos dadas e sorridentes. Se fossemos apresentar queixa à GNR ainda sobrava para nós, porque ele andava sempre a ameaçar toda a gente”, justificaram.
Os desentendimentos entre o casal são também confirmados pelos proprietários da empresa de calçado de S. Roque, onde a vítima trabalhava. “Ele era muito desconfiado e uma vez já tinha entrado na empresa com uma arma a fazer ameaças”. “Às vezes escondia-se num carreiro à espera que ela saísse”, lembrou um dos responsáveis sem querer identificar-se.
Os receios entre a população são muitos. E apesar de o alegado homicida se encontrar sob custódia da Polícia Judiciária (PJ), não arriscam a mostrar-se publicamente. “Com a justiça que temos, dentro de dias está outras vez na rua e depois ainda nos mata”, diziam alguns vizinhos temerosos.
De acordo com outros testemunhos a vítima terá tentado sair de casa por volta da meia noite. Mas o homem foi no seu encalço e obrigou-a a regressar. “Ouvi-o dizer para ela se ir lavar e depois ficou sentado na cadeira junto à porta de entrada”, recordou um vizinho.
Entre a população que não escondia a sua revolta pelo sucedido, havia quem lembrasse que o homem se dizia esquizofrénico. “Ele chegou a dizer-me que era doente da cabeça, mas que estava a fazer-se ainda mais doente para conseguir a invalidez”, lembrou uma vizinha.
Ao que apurou o JN, depois de desferir os golpes que deixaram um cenário dantesco de sangue espalhado no quarto do casal, o homicida foi lavar-se, antes de ir aos bombeiros de Oliveira de Azeméis. Chamou por um bombeiro de serviço afirmando que tinha acabado de matar a mulher e que mandassem uma ambulância para a sua casa. Ainda incrédulos com esta declaração, os bombeiros perguntaram se estava a falar a sério. Respondeu afirmativamente e justificou que sofria de perturbações mentais.
De seguida, foi à GNR e  fez o mesmo anúncio. Bombeiros e GNR já nada puderam fazer para salvar Maria de Fátima. Também a PJ esteve no local e deteve o homem. O detido  já foi condenado anteriormente por violência doméstica e ofensas corporais, mas nunca cumpriu pena de prisão.
Mais homicídios após queixas
O número de casos de mulheres assassinadas em que já tinha sido feita uma ou mais denúncias tem aumentado, o que revela que há uma falha na avaliação do risco, denunciou a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) .
“O que nós encontramos neste casos são mais mulheres que já fizeram queixas. Uma delas até já tinha feito cinco queixas. Há um aumento do número de casos em que houve queixas quer da própria vítima, quer da vizinhança”, disse Maria José Magalhães à agência Lusa.
No entender da presidente “as instituições avaliam este tipo de violência como leve. Registam a queixa e ficam à espera que as coisas se resolvam e das duas uma, ou a senhora foge e vai para uma casa abrigo ou ninguém faz nada”.
Maria José Magalhães diz que a lei já tem mecanismos de afastamento e de coacção urgente do agressor, sem necessidade de flagrante delito. “Na maioria das situações o poder judicial tem avaliado este risco como um risco menor e as consequências podem ser fatais”, alertou.
O especialista em psicologia criminal Rui Abrunhosa Gonçalves, docente da Universidade do Minho, também defendeu que “há mecanismos de prevenção do risco”. No seu entender, proteger a vítima não passa por afastá-la, mas sim por controlar o agressor.
“São geralmente indivíduos que associam problemas de doença mental ou de perturbação da personalidade a consumos de substâncias, nomeadamente álcool, e quando se juntam estes factores temos um elevado risco de homicídios conjugais”, apontou.
Abrunhosa Gonçalves também aponta o dedo à justiça, ao dizer que há medidas de coacção que “não resultam absolutamente em nada” e que “seria muito melhor” que muitas vezes “fossem passar 48 horas num calabouço”, “submetidos nalguns casos a tratamentos de características psiquiátricas” ou “remetidos compulsivamente para o controlo de substâncias”.
A deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, apela à criação de um programa de policiamento específico para combate à violência doméstica e quer saber as “orientações” que o Governo deu aos agentes das várias forças de segurança e se “estão capacitados para avaliar o grau de risco das denúncias que lhes chegam às mãos” .
Fonte: Jornal de Notícias

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