Rede oncológica nacional está à beira da ruptura

05/10/2010 at 10:36 am Deixe um comentário

por ANA MAIA

A rede oncológica nacional está no limite. Desde 2009, ano em que foi apresentada a Carta de Princípios de Coimbra e criada a lista de requisitos para a prática oncológica, que nada avançou. A rede de referenciação está parada, os profissionais de saúde são poucos e as estruturas sobrecarregadas. A abertura do Centro Champalimaud é aguardada com expectativa por poder significar uma oportunidade de acesso a novas terapêuticas. Estima-se que em Portugal surjam 40 mil novos casos de cancro por ano.

“Desde que a Carta de Princípios foi publicada, em termos práticos não conseguimos avançar com quase nada. E tal como a carta previa, a incidência do cancro está a aumentar e a taxa de mortalidade a diminuir, e os profissionais vão ser cada vez menos. Há falta de oncologistas, radioterapeutas e de estruturas. Tudo isto a somar à ausência de decisão que só piora a situação”, diz ao DN Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos.

“O tratamento dos doentes ainda não está em causa. Mas se se continuar sem tomar uma decisão, a não dialogar e a pôr tudo em dois ou três sítios e a não planear nada devidamente, mais cedo ou mais tarde a capacidade de atendimento pode ser posta em causa. Temos sido capazes de acomodar o aumento de doentes, mas não vamos ser capazes de o fazer indefinidamente”, alerta o especialista.

Apesar de dizer que há uma boa base de trabalho, Jorge Espírito Santo lembra que só os protocolos do tratamento dos cancros da mama e do pulmão foram publicados e que os do cancro da próstata e do cólon ainda estão por publicar. O especialista afirma que se fez “muito pela oncologia em Portugal, mas de forma desorganizada”.

“Falta um plano oncológico nacional, não para ficar no papel, mas para ser efectivamente posto no terreno, com a participação de todos os actores relevantes, com metas e meios alocados. É preciso ver onde existem as necessidades e colocar lá as estruturas para dar resposta”, defende o presidente do Colégio de Oncologia.

Também António Araújo, membro do grupo que em 2009 fez um estudo que concluiu que o cancro está subfinanciado em Portugal, afirma que “estamos iguais ou ligeiramente piores” que no ano passado. “Não avançámos com a rede de referenciação, nem de aplicação das guidelines [linhas orientadoras] para uniformizar o tratamento em todo o País, nem em termos da investigação clínica com a implementação de protocolos”, aponta o médico, que trabalha no IPO do Porto.

A juntar a isto, acrescenta, “existem os constrangimentos económicos” que têm também afectado a área oncológica. António Araújo revela que os médicos estão preocupados com toda a situação. “Entre 15% e 30% dos doentes, dependendo do centro, são usados para protocolos de investigação. O maior número não entra e são os doentes que não têm rede de referenciação, não têm guidelines aplicadas, nem auditorias para ver se são bem tratados”, acrescenta.

Perante este cenário, a abertura do Centro Champalimaud é vista com grande expectativa. “Um centro com investigação é uma peça fundamental para podermos tratar melhor o doente. Temos de esperar para ver qual a relação que terá com o Serviço Nacional de Saúde e de que maneira podemos aproveitar sinergias”, lembrando que apenas cinco cancros têm rastreio.

“Todos os outros não têm rastreio. É o caso do cancro do pulmão, que em 70% dos doentes é detectado já numa fase avançada da doença. Saber como o cancro se metastiza é saber como ele evolui. Ao conhecermos a sua história, conseguimos desenvolver tratamentos. Esta é uma área fundamental da investigação”, afirma António Araújo, sobre o trabalho que o Centro Champalimaud vai desenvolver.

Jorge Espírito Santo lembra que a investigação e os ensaios clínicos em Portugal são poucos e, por isso, o surgimento do Centro Champalimaud “é bom”. Mas é preciso que não fique de costas voltadas para o País. “Gostaria muito que a Fundação pudesse desenvolver projectos com a comunidade que trabalha a oncologia em Portugal, quer a nível de tratamento quer na área da investigação”, disse o médico, adiantando que o Colégio de Oncologia está disposto a ajudar.

Fonte: Diário de Notícias

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