“Faça o teste, porque assim tem um tratamento mais adequado”

24/10/2010 at 5:54 pm Deixe um comentário

Houve 39 mil infecções por VIH desde 1983

IVETE CARNEIRO

Aos 20 anos de uma vida que não quer festejar com velas – “O que faria sentido festejar era não sermos necessários” -, a Liga Portuguesa Contra a Sida insiste que é preciso continuar a falar da doença. E lida com um problema: menos financiamento e mais procura.

Aos 20 anos de uma vida que não quer festejar com velas – “O que faria sentido festejar era não sermos necessários” -, a Liga Portuguesa Contra a Sida insiste que é preciso continuar a falar da doença. E lida com um problema: menos financiamento e mais procura.

Entre o primeiro diagnóstico de VIH em Portugal, em 1983, e o passado mês de Setembro foram notificados cerca de 39 mil infecções. Mais duas mil do que em Dezembro passado, altura do último relatório do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

Os novos dados foram avançados ao JN por Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS), segundo a qual as novas infecções “duplicaram em 2008”, apesar de a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida falar numa redução de 50% em quatro anos.

O aumento, garante a dirigente da LPCS – que faz hoje, domingo, 20 anos -, deve-se à aposta no diagnóstico precoce, que tem sido “privilegiado por instituições de solidariedade social e pela Coordenação Nacional, para poder oferecer um tratamento mais efectivo”. Ou seja, vão sendo diagnosticados casos que só sê-lo-iam quando se manifestasse uma patologia oportunista.

“É esse o nosso trabalho. Dizer: faça o teste, porque assim tem um tratamento mais adequado”, que impedirá a evolução da doença para estádios mais avançados. Um objectivo da Liga que se vem mantendo há anos e que promete continuar, garante.

“Ainda não se pode dizer que os comportamentos mudaram”, admite Maria Eugénia Saraiva. Apesar das melhorias, o estigma da sida “ainda existe”. E, “infelizmente, os números não nos fazem cruzar os braços”.

A discriminação no emprego e na família continua a ser um dos grandes alvos da LPCS, porque “a doença continua associada a grupos de riscos”. Erradamente, de certa forma. “É uma doença altamente democrática, não escolhe idades nem grupos populacionais”. E, hoje, deixou de ser um fenómeno entre os mais jovens.

Os adultos com mais de 45 anos têm sido uma preocupação crescente da Liga, forçada a mudar o paradigma das actividades. Uma delas é a campanha “Conviver com segurança e prazer”, que escolheu as universidades sénior e os Bailes da Ribeira. Outra é o lançamento de uma mensagem a eles dirigida – “Os discursos têm que ser adaptados aos alvos” – sobre “sexualidade saudável”.

Acima de tudo, uma das lutas da Liga é não deixar cair o tema. “Hoje já não se fala da sida. Para muitos, passou a ser uma doença crónica, com uma imagem banal, porque tem tratamento. Mas não tem cura.” E por isso é que, em vez de 20 velas, a Liga decidiu assinalar os 20 anos de existência pondo “a sida na moda”.
Hoje, domingo, são entregues a 20 estilistas 20 laços de madeira com tamanho humano. “Despidos”. A ideia é os estilistas “vestirem-nos”, para depois serem parte de uma “Laço Parade”, como se fez, há anos, a “Cow Parade”, com vacas ilustradas nas ruas de Lisboa. No final, as obras serão copiadas em tamanho pin, para venda. E para ajudar a Liga a sobreviver ao novo contexto económico-social. Tal como já está a ser feito através da exposição “20 contra a sida”, no Centro de Exposições de Odivelas, com obras de vinte artitas. A promessa é a de, ao longo deste ano de aniversário, ter outros “20 contra a sida”.

A falta de financiamento é o mais grave entrave à luta, garante Eugénia Saraiva. “Os donativos decresceram 40%, mas, em contrapartida, temos cada vez mais procura, não só dos serviços de apoio, mas também para bens alimentares e de higiene”.

Fonte: Jornal de Notícias

 

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