28 de Maio de 2011 – Dia Internacional de Acção pela Saúde da Mulher

10/05/2011 at 5:08 pm Deixe um comentário

  A 28 de Maio de 2011 assinala-se o Dia Internacional de Acção pela Saúde da Mulher. O Movimento Democrático de Mulheres lança novos desafios às mulheres para o exercício dos seus direitos à saúde, ao planeamento familiar, à educação sexual e a uma maternidade feliz e responsável.

Entendemos a saúde da mulher como uma questão de relevância pública e politica, de repercussão múltipla de alcance social e económico.

Dado o papel determinante da mulher na saúde dos outros – dos que nascem de si e dos que trata como prestadora de cuidados ou que educa ou acompanha – a saúde da mulher é um indicador inquestionável do desenvolvimento do país e da igualdade.

Com o objectivo de reforçar a informação existente sobre as condições de saúde das mulheres nos concelhos de intervenção do Projecto Saúde da Mulher – Construir a Igualdade, durante o mês de Maio, iremos divulgar várias entrevistas realizadas a técnicos associações e profissionais de saúde.

 Pretende-se divulgar junto das mulheres os recursos existentes no Serviço Nacional de Saúde, e incentivá-las para que usufruam dos seus direitos na área da saúde nomeadamente no planeamento familiar, rastreios do cancro da mama, cancro do colo do útero e do aparelho reprodutivo, educação sexual, IVG, prevenção e tratamento do VIH, etc.

Pretende-se também perceber a relação entre as situações económicas e sociais e a saúde das mulheres.

Sinal da evolução dos tempos são as novas formas de transmitir a informação como a que usaremos, privilegiando contudo o contacto pessoal e directo com as mulheres, pois como já constatámos, que para além da informação disponível nos meios de comunicação actuais, a conversar podemos mudar atitudes e mentalidades e desfazer preconceitos.

Agradecemos desde já a todos os que têm colaborado com o Movimento Democrático de Mulheres, respondendo às nossas questões.

 A primeira entrevista que publicamos foi realizada ao Dr. Edgar Palminhas/Psicólogo Clínico responsável pelo Centro de Aconselhamento e Detecção de HIV  de Évora e Ponto Focal da ARS Alentejo, I.P. para a Infecção VIH/sida .

 Entrevista: Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH (CAD) de Évora

 
CAD Évora
Hospital Espírito Santo de Évora
Largo Sr. da Pobreza
7000-811 Évora
Tel:  266 740 100  Ext:1188

* Nome/Cargo que ocupa na Instituição

Edgar Palminhas/Psicólogo Clínico responsável pelo CAD de Évora e Ponto Focal da ARS Alentejo, I.P. para a Infecção VIH/sida

* Desde quando existe o CAD em Évora e qual a sua função?

O CAD de Évora existe desde o ano 2003, ano em que foi criado com base num protocolo entre a eis Sub-Região de Saúde de Évora e a Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA.

A grande função do CAD é assumir-se como um centro/espaço que proporcione aos utentes a oportunidade de, num ambiente confidencial, de forma anónima e gratuita, obterem informação e aconselhamento sobre VIH/sida assim como realizarem o Teste Rápido de diagnóstico da infecção. O CAD articula com o Laboratório de Sangue do Hospital de Évora na confirmação de testes reactivos e com o serviço de Medicina Interna na referenciação de utentes infectados para consulta.

Através do recurso a unidade móvel de saúde o CAD realiza também acções comunitárias de rastreio e sensibilização, descentralizando os seus serviços e indo ao encontro das populações.

OBJECTIVOS GERAIS

v  Prevenir a transmissão da infecção pelo VIH;

v  Contribuir para o diagnóstico precoce, para que os utentes seropositivos possam beneficiar o mais precocemente possível de cuidados médicos e de apoio psicológico e social;

v  Motivar os utentes a assumirem comportamentos que protejam a sua saúde e a dos outros;

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

v  Proporcionar a qualquer pessoa a possibilidade de realizar o Teste Rápido para diagnóstico da infecção pelo VIH, de forma gratuita, confidencial e anónima;

v  Oferecer ao utente, para além da Detecção Precoce (no caso de este estar infectado), um Aconselhamento realizado por Psicólogo Clínico, proporcionando o respectivo apoio psicológico e adequada Referenciação;

v  Avaliar com o utente possíveis mudanças do seu comportamento que impeçam a sua infecção e/ou a transmissão a outras pessoas;

v  Sistematizar e analisar a informação produzida no CAD de forma a contribuir para o estudo epidemiológico desta infecção, ao nível regional e nacional.

 * Para alguém que não conheça o Hospital de Évora, pode explicar como encontrar o vosso gabinete, qual o edifício e forma de lá chegar? O CAD de Évora fica no Hospital do Espírito Santo de Évora, no edifício antigo (não no edifício Patrocínio), no corredor para o Bar e mesmo em frente da direcção clínica do Hospital. Para aceder ao CAD pode-se entrar pela porta principal do hospital mas também pela “portaria velha”, que fica no caminho para a morgue, e aí encontrarão placas a indicar onde fica o CAD.

* Onde se podem fazer testes de detecção do VIH em Évora, Montemor e Arraiolos? Testes para detecção da infecção VIH/sida podem ser feitos através do médico de família, a solicitação do utente. As pessoas que tenham tido uma situação de exposição ao risco, nomeadamente contacto com sangue infectado e/ou uma relação sexual desprotegida com parceiro(a) de estado serológico para elas desconhecido devem realizar o teste. Os utentes podem ainda recorrer ao CAD de Évora (horários disponíveis em www.sida.pt) para realizar o teste. No CAD o atendimento processa-se de forma diferente do que no centro de saúde, pois neste não precisa de marcação e realiza-se por ordem de chegada. Os utentes também não precisam de apresentar qualquer documento, basta que “apareçam”.

* Como se processa o teste? Tem custos associados?Existem diferentes testes para detecção do VIH, sendo que os testes mais utilizados nos CAD são os testes rápidos. Os testes rápidos são testes que se fazem com sangue capilar, pelo que exigem uma pequena colheita de sangue através de punção digital (picada no dedo). A sua leitura pode ser feita em cerca de5 a20 minutos. No entanto, a realização da serologia ao VIH exige um aconselhamento prévio ao utente, nomeadamente uma avaliação do risco/situação, informação acerca do teste (“período janela”), esclarecimento das implicações de um resultado reactivo/não reactivo, entre outras. Assim, o teste é integrado num processo de aconselhamento pré e pós-teste que poderá durar no seu todo cerca de30 a40 minutos.

Importa dizer que um resultado reactivo não é um diagnóstico!! Um resultado reactivo ao teste rápido deve ser sempre confirmado por um outro teste confirmatório chamado teste de western blot. Este teste exige colheita de sangue venoso que será feita no laboratório de sangue do hospital, também de forma anónima, gratuita, confidencial. Só com um resultado positivo no western blot é que o resultado se confirma e aí o utente será devidamente referenciado para consulta VIH do Hospital.

O teste e o atendimento são totalmente gratuitos.

* Qual o tempo que demora até se saber o resultado? Entre 5 a 20 minutos, aproximadamente (teste rápido).

* Em caso positivo como devem proceder as pessoas? Em caso de teste reactivo o utente deverá perceber que aquilo não significa necessariamente um diagnóstico, pois o teste rápido, à semelhança do teste pela metodologia ELISA, tem uma especificidade inferior a 100% o que significa que podem acontecer falsos positivos, ainda que em muito pequeno número (não existe a possibilidade de se verificarem falsos negativos, quando o período janela já foi ultrapassado). Nesses casos, o utente tem que fazer um teste confirmatório: na hora, será acompanhado ao laboratório de sangue e uma técnica efectuará a colheita, de forma anónima, confidencial, gratuita, para que se realize a análise western blot.

* Acha que o médico de família deveria prescrever o teste a todos os utentes com vida sexual activa, independentemente da idade? A infecção pelo VIH/sida reúne critérios para realização de rastreios populacionais (campanhas de prevenção comunitária onde o teste é disponibilizado a quem quiser fazer) mas creio que teremos que ter cuidado ao pensar em rastreios de base populacional, pois outras questões importantes aqui se levantam. Primeiro, a epidemia portuguesa é do tipo concentrado o que significa que não havendo grupos de risco, há grupos de maior vulnerabilidade e esses nós sabemos quais são, sendo que é aí que se deve investir mais no diagnóstico precoce. Levar a cabo um rastreio de base populacional (população sexualmente activa) levaria ao surgimento de mais falsos positivos, pela generalização do teste. Este facto decorrerá de um mero facto estatístico e nada tem a ver com uma menor especificidade dos testes rápidos, pois o mesmo ocorreria se só usássemos testes ELISA. Neste contexto, quanto mais testes se fizerem à população geral, onde a prevalência é baixa (maior proporção de indivíduos seronegativos na população), maior será a probabilidade de se encontrarem falsos positivos. Deste simples fenómeno estatístico resulta que é necessário i) fazer compreender a quem faz o teste que um teste positivo não significa infecção (se bem que seja muito provável), tal como uma medição da pressão arterial não define uma hipertensão e ii) garantir a realização de um teste confirmatório, habitualmente num hospital.

O diagnóstico precoce não é melhor ou pior com o aumento da quantidade de testes (até porque em Portugal já se fazem muitos testes e o número tem vindo a aumentar de ano para ano), mas sim com um aumento qualitativo na proposta criteriosa da sua realização junto daqueles que estão mais expostos a contrair a infecção, pelos seus comportamentos, práticas sexuais, consumos.

* Sabendo que não existe ainda cura para a SIDA, a detecção e o tratamento precoce podem garantir uma maior qualidade de vida aos doentes? Sem dúvida nenhuma. A detecção precoce é um desafio que cada vez se coloca de forma mais significativa.

* Quais são os dados relativamente a pessoas infectadas nos últimos anos no Distrito de Évora? A 31 de Dezembro de 2010 estavam notificados ao CVEDT-INSA um total acumulado de 235 casos de infecção pelo VIH/sida, nos diferentes estádios da infecção, no distrito de Évora (14 de portadores sintomáticos não-Sida; 115 de portadores assintomáticos; e 106 casos Sida). A faixa etária dos 25-34 anos é onde se verificam mais notificações. À semelhança do que acontece a nível nacional, a infecção VIH/sida tem afectado sobretudo mais homens. Nos últimos anos tem-se verificado uma diminuição do número de novos casos de infecção, comparativamente a anos transactos. A categoria de transmissão mais frequente é, presentemente, através de relações sexuais desprotegidas.

* Há alguma faixa etária com dados mais preocupantes? Apesar do exposto atrás, tem-se assistido nos últimos anos a nível nacional a um ligeiro aumento de novos casos em faixas etárias mais avançadas, nomeadamente a partir dos 55 anos.

* Continuam a ser as pessoas identificados como grupos de risco a recorrer ao teste ou é a população em geral? Em relação à população que recorre aos serviços do CAD devo dizer que ela (população de utentes) é bastante heterogénea, sendo também diversificados os motivos apresentados para realizar a serologia VIH. O número de trabalhadoras sexuais que recorrem ao teste tem vindo a sofrer um ligeiro aumento, fruto também de algumas parcerias que o CAD tem vindo a desenvolver e solidificar com outras instituições da cidade de Évora, nomeadamente com a APF Alentejo. No entanto, nem sempre pessoas identificadas como pertencendo a grupos de risco recorrem ao CAD: vir fazer o teste na sequência de um contacto desprotegido e/ou ruptura do preservativo é um motivo que trás qualquer pessoa ao serviço, independentemente da sua vulnerabilidade ao risco por base a comportamentos habituais. Muitas pessoas recorrem também ao CAD realizar o teste alegando que têm uma nova relação e, atendendo a que querem ter relações sexuais sem preservativo, pretendem certificar-se que está tudo bem com elas; muitos destes utentes chegam em casal ao serviço e querem fazer o teste juntos.

Importa sobretudo nós percebermos que, ainda que existam populações que, quer pelas suas práticas sexuais de risco, quer pela existência de consumos que implicam partilha de material de injecção, estejam mais vulneráveis ao risco e a contrair uma infecção, o VIH/sida é uma doença absolutamente democrática que tem mostrado ao longo de anos que pode “acontecer” a qualquer pessoa, independentemente da idade, género, orientação sexual, classe social e económica. Sempre que eu me exponha ao risco e tenha comportamentos que possam implicar contacto com o vírus eu posso ser infectado – é esta a informação básica a reter.

*Como se comemora a dia 28 de Maio o Dia Internacional de Acção pela Saúde da Mulher gostaria de deixar algum conselho às mulheres do distrito de Évora no que respeita à prevenção do VIH/SIDA?

A Saúde da Mulher é certamente um assunto merecedor das maiores atenções por parte de todos os agentes/instituições/entidades governamentais e não governamentais que actuam na área dos cuidados de saúde. É um assunto de tal ordem de importância que tem justificado compromissos internacionais por parte das nações unidas, nomeadamente no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (5 e 6). No entanto, a Saúde da Mulher, nomeadamente ao nível da saúde sexual e reprodutiva não se esgota de modo algum na problemática da infecção pelo VIH/sida, de certo, assunto da maior importância.

Atendendo à data comemorativa, gostaria de dizer a todas as mulheres que é de extrema importância a visita regular ao seu profissional de saúde no sentido de terem um acompanhamento ginecológico adequado e regular, aspecto fundamental para a detecção e resolução de condições clínicas que, a não serem identificadas e tratadas atempadamente, poderão vir a traduzir-se em sérias complicações ao nível da sua saúde global e bem estar geral. A infecção pelo VIH/sida é uma infecção que “está dentro de um saco” onde cabem muitas outras doenças, as chamadas Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), que têm conhecido um aumento significativo na sua incidência a nível mundial nos últimos anos. Grande parte destas infecções poderão ser tratadas sem problemas de maior mas para isso é fundamental que sejam sinalizadas a tempo e em fases iniciais; a não acontecer, poderão traduzir-se em sérios problemas de saúde como complicações do sistema nervoso central, infertilidade, e mesmo morte. Prevenir é vigiar, é mantermo-nos informados, é colocarmos questões a quem de melhor nos poderá esclarecer as dúvidas; prevenir é também admitir que não sabemos tudo (ninguém sabe tudo) e procurar as respostas. É importante que todas as mulheres possam ter o melhor acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, tanto no acesso à contracepção e consulta médica, como no aconselhamento especializado e no planeamento familiar. É importante que todas as mulheres saibam que através de um exame de observação ginecológica indolor é possível prevenir males maiores para a sua saúde e dos seus parceiros. É importante que todas as mulheres saibam que o preservativo é a única forma de prevenir IST e que este deve ser usado, de forma assertiva e sem excepções, com parceiros(as) cujo estado serológico é desconhecido.

 

 

Entry filed under: Doenças sexualmente transmissíveis, Projecto Saúde da Mulher. Tags: .

Saúde – Dia Mundial do Lúpus – RTP Noticias, Vídeo Entrevista ao Dr. Edgar Palminhas/Psicólogo Clínico responsável pelo Centro de Aconselhamento e Detecção de VIH de Évora (CAD)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


NOVO! Projeto Criar Mundos de Igualdade Agir e Convergir para Mudar

Fotos do Projecto Saúde da Mulher - Construir a Igualdade

Mais fotos

Objectivos do Projecto

Informar e sensibilizar a opinião pública, junto de organizações de mulheres, orgãos de comunicação social e demais entidades da sociedade civil, sobre aspectos da saúde da mulher.

Divulgação de informações sobre aspectos de saúde sexual e reprodutiva da mulher.

Promoção de uma sexualidade saudável e responsável.

Promover os direitos da mulher grávida (maternidade e paternidade).

Combater a violência sexual baseada em questões de género.

Promoção de cuidados perinatais.

Promoção da educação sexual.

MDM Évora

Exposições do Movimento Democrático de Mulheres disponíveis para empréstimo

https://mdmevora.files.wordpress.com/2012/11/exposic3a7c3b5es-do-movimento-democrc3a1tico-de-mulheres-disponc3adveis-para-emprc3a9stimos.pdf

Mapa de Évora – Apoio a vítimas de Violência Doméstica e locais onde apresentar queixa

Mapa de Arraiolos – Apoio a vítimas de Violência Doméstica e locais onde apresentar queixa

Mapa de Montemor-o-Novo – Apoio a vítimas de Violência Doméstica e locais onde apresentar queixa

Número Verde

Linha SOS IMIGRANTE

DVD – “De mãos dadas com o medo”

 Filme que aborda questões relacionadas com a violência no namoro e que foi realizado no âmbito do projecto “Participar, Partilhar a Igualdade”, que  foi premiado, em 2007, no âmbito do Ano Europeu da Igualdade, como o melhor trabalho nesta área realizado no Distrito de Aveiro

Linha Cancro

Sexualidade em Linha

Rastreio do cancro do colo do útero no Alentejo

Linha Sida

São objectivos gerais da Coordenação Nacional da Infecção VIH/SIDA:

Saúde 24

A Linha Saúde 24 é uma iniciativa do Ministério da Saúde que visa responder às necessidades manifestadas pelos cidadãos em matéria de saúde, contribuindo para ampliar e melhorar a acessibilidade aos serviços e racionalizar a utilização dos recursos existentes através do encaminhamento dos Utentes para as instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde mais adequadas.

Financiamento

Saúde da Mulher – Mês a Mês

Maio 2011
M T W T F S S
« Abr   Jun »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 8 outros seguidores

Facebook do Projecto Saúde da Mulher -Construir a Igualdade


%d bloggers like this: